Author David Calderoni

12 novas canções de David Calderoni (2019)

Áudios completos das músicas

A Casa Pelada

Mundos e Fundos

One Way to Go

Multiversos

Como ser Feliz

Notícias de Leonardo

Ser Livre Daniel

Caetaninar

Canção para Theo

Li-Alice

Tudo Flui

Vulcânica Adriana

 

Videoclip de “A Casa Pelada”

 

Ficha Técnica

– David Calderoni: letra, música, canto e violão.
– Gabriel Oliveira: arranjo, gravação, edição geral, mixagem, masterização, backing vocals, teclados, baixo, guitarra, percussão e programação de bateria.
– Ricardo Strani: captação e edição de voz & violão.
– Animação: Alexandre Coscodai

 

Videoclip de “One Way To Go”

 

Ficha Técnica:

Produção e Direção: Marco Paraná
Assistente de Produção: David Sandler
Edição: Marco Paraná
Primeira Câmera: Marco Paraná
Segunda Câmera: David Sandler
Assessoria de Imprensa: Daniela Ribeiro

 

Letras das músicas

Acesse as letras das músicas de A Casa Pelada baixando o encarte do CD neste link ou ouça o disco e acompanhe as letras acessando a playlist abaixo:

 

A Casa Pelada… e além

1. O trem dessa quadra da vida partiu de uma habitação tornada inóspita, de onde o humano se afastara de dentro a fora da pessoa, da família, da vizinhança, da cidade.

2. Siderado e perplexo, o passageiro vagou por praças, passagens subterrâneas, aeroportos, túneis, avenidas, edificações monumentais, indagando a mundos e fundos, nações e marginais em que medida a sua existência contaria na ordem geral das coisas.

3. Em meio a um cenário marcado por guerras, ofensas, alheamentos e preconceitos, encontrou a via do amor como o único e imperativo caminho para avançar.

4. Entre o amor, a memória e o futuro, afiou seu próprio canto para desbravar clareiras na selva da coexistência.

5. Por trás da aparente desatenção de crianças avoadas, descobriu infantes sonhadores dotados do poder de reencantar o mundo.

6. Colocou-se então o desafio de desejar crescer mantendo e cultivando o encantamento.

7. Tomou por exemplo um menino que, bem crescido, prima por uma inquebrantável e amorosa solidariedade.

8. Em seguida, deixou-se embalar por um recém-nascido, em cujo sono se descortinam teatros onde tudo nasce novo e de novo outra vez.

9. Já seu primo, petiz andarilho, atravessa os ambientes das relações e das linguagens que ele acorda e vai abrindo em mundos de portas e janelas sem mais fim.

10. E se comprazem com a prima que fermenta o cem no um, na diversidade e na pluralidade do bem comum.

11. Em vento-evento inaugural, que se desatem as amarras que prendem as velas da vela que quer fluir.

12. Uma raiz-vulcão faz enfim jorrar o magma de uma história em fervilhante brotação.

 

Carta de Luiz Tatit a David Calderoni

O disco me pareceu muito bom. Tem algo de experimental muito bem dosado com conteúdos sensíveis. Você consegue fazer melodias imprevisíveis muito bem conectadas com as letras (ex.: as descendências profundas em alguns versos de Casa Pelada). Em Mundos e fundos, o refrão que inicia com “Taj Mahal” me parece muito forte! Algumas experiências de troca de acento na prosódia de algumas canções acabam soando bem, o que não é comum (ex. “Pegaso” em Canção para Theo, aliás, bela marcha). O uso de palavras de outros universos de discurso (“plurissingularize”, p/ ex.) também não é prática banal. As canções dedicadas às crianças (filhos? netos?) são todas muito boas, parecem refundar um futuro ainda tão imprevisível e por fazer… Que eu me lembre, há apenas um samba (acho que Notícias de Leonardo), uma marcha e, no geral, você inventa também os gêneros. Tudo muito rico! Parabéns por mais um disco depois de encerrar a era do disco. Gosto dessa insistência, tanto que até o Rumo acaba de fazer novo Álbum. E assim vamos que vamos!

Obrigado pelo envio. Foi muito bom ouvir o novo repertório.

— Luiz Tatit

 

Ficha Técnica
A Casa Pelada

– David Calderoni: letra, música, canto e violão.
– Gabriel Oliveira: arranjo, gravação, edição geral, mixagem, masterização, backing vocals, teclados, baixo, guitarra, percussão e programação de bateria.
– Ricardo Strani: captação e edição de voz & violão.

Mundos e Fundos

– David Calderoni: letra, música, canto e violão.
– Gabriel Oliveira: arranjo, gravação, edição geral, mixagem, masterização, teclados, baixo, percussão e guitarra.
– Ricardo Strani: captação e edição de voz & violão.

One Way to Go

– José Calderoni: letra.
– David Calderoni: música, canto em inglês, declamação em português e violão.
– Eduardo Matarazzo Suplicy: anúncio da canção & dos autores e declamação em inglês.
– Gabriel Oliveira: arranjo, gravação, edição geral, mixagem, masterização, flautas, teclados, percussão e backing vocals.
– Ricardo Strani: captação, edição de voz & violão, baixo fretless e percussão.
– Vitor Laranjeira: pré-produção.
– Danilo Aurelio: técnico de gravação.

Multiversos

– David Calderoni: letra, música, canto e violão.
– Gabriel Oliveira: arranjo, gravação, edição geral, mixagem, masterização, flautas, teclados, baixo, percussão e programação de bateria.
– Ricardo Strani: captação e edição de voz & violão.

Como Ser Feliz

– Bia de Paula Souza: letra e canto.
– David Calderoni: letra, música, canto e violão.
– Gabriel Oliveira: arranjo, mixagem, masterização, flautas, cavaquinho e percussão.
– Ricardo Strani: captação e edição de voz & violão.
– Vitor Laranjeira: pré-produção.
– Danilo Aurelio: técnico de gravação.

Notícias de Leonardo

– David Calderoni: letra, música, canto e violão.
– Gabriel Oliveira: arranjo, edição geral, mixagem, masterização, percussão, baixo e backing vocals.
– Fernando Mostaço: trumpete e flugelhorn.
– Ricardo Strani: captação e edição de voz & violão.
– Danilo Aurelio: técnico de gravação.

Ser Livre Daniel

– David Calderoni: letra, música, canto e violão.
– Gabriel Oliveira: arranjo, edição geral, mixagem, masterização, percussão, flautas e teclados.
– Ricardo Strani: captação e edição de voz & violão.

Caetaninar

– David Calderoni: letra, música, vocalizes, canto e violão.
– Gabriel Oliveira: arranjo, edição geral, mixagem, masterização, percussão, pífano, baixo e backing vocals.
– Ricardo Strani: captação e edição de voz & violão.

Canção para Theo

– David Calderoni: letra, música, canto e violão.
– Gabriel Oliveira: arranjo, edição geral, mixagem, masterização, percussão, flautas, baixo e cavaquinho.
– Ricardo Strani: captação, edição de voz & violão, baixo fretless.

Li-Alice

– David Calderoni: letra, música, canto, violão e escaleta.
– Pedro Gontijo: pandeiro.
– Gabriel Oliveira: arranjo, edição geral, mixagem, masterização, percussão, flauta e cavaquinho.
– Ricardo Strani: baixo fretless, percussão, pré-mixagem.
– Vitor Laranjeira: pré-produção.

Tudo Flui

– Ricardo Calderoni: música.
– David Calderoni: letra, música, canto e violão.
– Inês Stockler: canto.
– Gabriel Oliveira: arranjo, edição geral, mixagem, masterização, flautas, baixo e percussão.
– Ricardo Strani: captação, edição de violão, mixagem & edição de vozes e percussão.
– Vitor Laranjeira: percussão, pré-produção.
– Danilo Aurelio: técnico de gravação.

Vulcânica Adriana

– David Calderoni: letra, música, canto, violão, efeitos vocais e assovios.
– Gabriel Oliveira: arranjo, edição geral, mixagem, masterização, percussão, baixo e teclados.
– Ricardo Strani: captação, edição de voz & violão, percussão.

Veja também:
Leia mais

12 novas canções de David Calderoni (2014/2015)

Degustação de músicas com opção interativa

Anjo Guerreiro

Dear Mom

O Samba

O Samba [interativo]

Baixe neste link a versão instrumental de “O Samba”. Ouça, aprenda a música e à vista da letra insira a sua voz na faixa. Envie seu arquivo de áudio para mim utilizando este formulário.

Letras das músicas

Neste link você tem acesso às letras das músicas de Meu Rei.

Onde Comprar

Este disco está em processo de finalização de encarte e consequente prensagem das cópias. Em breve, ele será distribuído física e digitalmente pela Tratore.

Ficha Técnica

– Produção Musical, letras e músicas: David Calderoni
– Pré-produção: Vitor Larangeira (Studio Wave)
– Gravações, Edições e Mixagens: Vitor Larangeira (Studio Wave), Rodrigo Carraro e Beto Mendonça (Estúdio 185), Janja Gomes (Estúdio Mofo), Pipo Pegoraro (Estúdio Sabiá)
– Finalização de mixagens: Clement Zular (Áudio Portatil)
– Edição de vozes (finalização): Flávio Franco Araújo
– Masterização: Homero Lotito (Reference Mastering)
– Ilustração (Capa): Sonia Novaes de Rezende
– Projeto Gráfico: Adriana L. Sales (Lazz Design)
– Ano: 2014

Notas sobre tempos e vozes

Por David Calderoni – outubro de 2014

Anjo Guerreiro foi a primeira canção gravada deste disco, registrada por Vitor Larangeira no Studio Wave um dia antes de nascer Rafael, meu segundo neto, a quem é dedicada. No começo, meio e final, a história temática interna do CD é marcada por ela, por Estrela do Mundo e por Teodisseia, três formas de presença do Infantil. Motivo que encaminha a Primeiro Ato, a única canção do repertório que não foi composta a partir de 2012.

Em 1974, eu tinha 16 anos e ficava muitas horas por dia tocando um violão autodidata, desenvolvendo minhas próprias harmonias. Eu quis mostrar que, além da letra e da melodia, a harmonia era essencial na canção. Assim, compus nesse ano Primeiro Ato, em que mantenho letra e melodia constantes (ao longo de diversas aparições das palavras Meu Amor) e, mediante variações na sequência de acordes, procuro evidenciar mudanças no sentido afetivo do meu amor.

Destarte, ainda que Primeiro Ato apareça em penúltimo lugar neste CD, é matriz de um procedimento inaugural alastrado em todas as minhas composições: a própria canção-título Meu Rei repete a mesma melodia em duas sequências harmônicas diferentes; Geologia o faz em quatro sequências harmônicas; DesMedo, em três; Teodisseia, em duas. Isso sem falar dos reiterados “…of my blues” de Dear Mom.

Reza a letra de Meu Rei que “em meu cântico encontrei / minha vez”. Trata-se de um encontro perambulante: na canção Chuva, os elementos lítero-melódicos, cantados em ciclos de uma, duas e três vozes em contraponto, entram em paulatinos descompassos com as sequências dos dois únicos acordes, e essas defasagens de compasso modificam a interação semântica das harmonias com a poesia em pluricontracanto. E se também multiplico as minhas vozes em Anjo Guerreiro e Teodisseia, já nos cantos-solos de Telefone Fixo e Beabá, vocalizo, respectivamente, os meus heterônimos Heavy Lupus e Karmona Ryvera, sem os quais jamais teria tido acesso aos idiomas Vociferol e Porteñol.

Mesmo na vitória, a lógica da guerra generalizada torna duvidosa a verdade de quem sobrevive: num mundo onde pululam o falso e o adverso, quem não seria o inimigo? Quando repetidos terremotos desencadeiam epidemias de labirintite, como encontrar equilíbrio para distinguir entre paranóias e perigos reais? Não conhecemos melhor remédio senão o persistente cultivo, ombro a ombro, da amizade democrática.

Veja também:
Leia mais
Hoje eu encontrei com meu pai
e dói pensar
o quanto ainda sou filho .

É preciso matar meu pai
teu , nossos pais .

Mas sobretudo é preciso
sabê-los morrer
para não cometer suicídio .

Informações

Em 1976, aos 18 anos, em virtude de estrofes encabeçadas pelo verso Hoje eu encontrei com meu pai, David foi declarado poeta pelo escritor, dramaturgo e psicoterapeuta Roberto Freire em artigo intitulado É preciso saber morrer o pai para não cometer suicídio, que Freire publicou no periódico Aqui São Paulo e republicou em 1977 na abertura do livro Viva Eu, Viva Tu, Viva o Rabo do Tatu!.

Imagem de capa: montagem sobre “Father and his Son” de Gabriel Decker.

Veja também:
Leia mais

Não é contemplar
                            de longe
as letras na varanda-vitrine ;

é dormir com elas
no sertão do mundo

e gozar
      em cada vogal
                              a senda
                              a vereda
      em cada consoante

e conceber
             cada palavrinha bem composta
como o jagunço afiado

            que há de nos vingar
            que há de nos valer !

Publicado pela União Brasileira de Escritores na Antologia do Concurso Nacional Gilberto Mendonça Teles de Poesia.

Veja também:
Leia mais

Sexo

Sexo não existe.
Precisa ser feito.
No homem, erigido.
Na mulher, cavado.

 

Oração para Haroldo

signo
igneo
hino
nu
 
cante
ante
ti
significante

Informação

Poemas publicados na edição de 11 de julho de 2004 do Caderno de Cultura do jornal Folha de São Paulo, acompanhados de ilustrações do artista plástico Felipe Cohen feitas especialmente para os poemas.

Veja também:
Leia mais

Enviajando reúne uma série de poemas de David Calderoni escritos em momentos bem distintos. Os poemas trazem a marca de uma criação inquieta, lúcida e por vezes irônica. Alguns deles se lançam sobre o leitor de forma abrupta como se quisessem, com um pequeno empurrão, fazê-lo cair e tropeçar.

Definitivamente: teríamos outro modo de saber sobre o que nos funda senão através destas quedas? Adquira o livro

Ficha Técnica

Editora: Via Lettera
Autor: DAVID CALDERONI
Ano: 2004
Edição: 1

 

Degustação de poema

Religare (Por um fio)

Teletransporte
a sua viva

voz
através
de seu bege
telefone

Que eu aqui
dentro da concha
do orelhão
te ouço
pelo vermelho
aparelho

Mas nada falo.

Colho o som
cai a chuva
sobre o laranja
anteparo

Sou cinza céu cinza sou

Silencioso oro

 

Vídeo do lançamento

 

Palavras do prefaciador

Por Edson Luiz André de Sousa

Querido David,

Teus poemas me acompanham desde o final do ano passado. Diariamente pensava neles e arquitetava algumas ideias para o texto que me pediste. O desafio foi grande. Há algo de íntimo na poesia que por vezes constrange a intrusão de outras palavras.

Da leitura que fiz marquei algumas ideias e algumas passagens que me tocaram, mas nem todas entraram no texto final. Procurei ser sintético e de certa forma minimalista em meus comentários. São tuas palavras que devem falar e certamente se apresentam a si mesmas. Gostei muito da experiência embora, confesso, não tenha sido fácil.

Desculpe a demora mas vejo que tens este cuidado de quem sabe esperar… Por vezes, este é o tempo de que precisamos.

Um abraço carinhoso

Edson

 

Entrevista

Fazer música, poesia e psicanálise tem a ver com duas coisas estreitamente vinculadas: a pergunta pela origem das coisas e a necessidade de criar novas formas sensíveis. Tal necessidade brota da pressão expressiva do originário que ainda não tem nome. Sobre o barbante de que fala Maria Rita, eu diria que ser psicanalista é para mim, no mais das vezes, liberar o sutil onde o rude se amarra. E esse sutil é o mais singular de uma natureza que, voltando-se sobre si mesma, encontra força interior para sobrepujar as agruras do traumático.

Algo das relações simbólicas e imaginárias necessárias e universais de uma cultura só pode ser conhecido através daquilo que um sujeito produz de único.

Não há no pensar sobre a arte nada de aprioristicamente reducionista na utilização de dados biográficos – desde que postos a serviço de evidenciar motivos geradores latentes do próprio fazer artístico que, enquanto tal, parteja universos singularizantes.

Trecho da entrevista de David Calderoni concedida à jornalista e crítica de arte Juliana Monachesi por ocasião do lançamento em 27/03/2004 do livro de poemas Enviajando (Via Lettera, 2004) e do CD Regeneração (autoprodução, 2004). Acesse aqui a entrevista na íntegra.

 

Apreciação crítica (CD Regeneração e Livro Enviajando)

Por Marcos Cardoso Gomes

Li com cuidado alguns de seus poemas de Enviajando, já ouvi três vezes o disco Regeneração, detendo-me pouco em qualquer uma das músicas, apenas para me familiarizar com o som. Parece-me bom, tranqüilo, com letras a exigir reflexão. Particularmente Maná, nesta primeira safra de audição.

Uma das qualidades de seu trabalho é a habilidade de tratar a sonoridade das palavras. Você joga bem com elas. Agrada-me, por exemplo, num poeta como Ricardo Reis, o jogo sonoro de Colhamos flores / molhemos leves / as nossas mãos. Agrada-me o choque sonoro do lha com o lhe, mais o jogo sintático, flores, objeto e leves, predicativo do sujeito.

Você não faz propriamente essa alternância, mas desenvolve outras. Por exemplo: Olha o cabo / a corda / a amarra, sinonímia que segue em que ata / o barco / à borda, cruzando o jogo semântico ao sintático, na interessante comutação de fonemas: o / à, ar / or, c / d (estas últimas, da aproximada natureza constituinte, opostas no jogo surda / sonora). Acrescente-se o ritmo que permeia esses versos: há um nítida alternância longa / breve (tônica / átona) desde Olha o cabo / a corda / a amarra / que ata / o barco / à borda. Em grego, esse ritmo seria o troqueu. O ritmo mantém-se, apesar de aparentemente os versos se inciarem por sílabas átonas. Mas essas são engolidas pela última átona do verso anterior. Portanto, a divisão rítimica se faz assim: Olha o cabo a / corda a / amarra / que^a – ta o / barco à / borda.

A estrofe seguinte apresenta um apuro sonoro magistral: Dia rima com cria, Ave, com Nave, alga, com arde, num jogo L / R interessante; algas / Arde / Orla e tarde fazem um jogo magnífico, compondo-se com a vibrante R.

O poema denomina-se Cabo das horas. O cabo das horas poderá significar o cabo do barco, que o prende ao cais, mas ecoa nele “ao cabo das horas”, a passagem do tempo, marcada dentro do texto por Dia, tarde, Pérola argêntea que se refaz (entendi dessa imagem que você apontou o sol, e seu renascer diário – mas porque tarde, apresenta-se com características da lua, daí argêntea) Alento da ronda / das pássaras, Nasce / Negra corola, Água marmórea, a indicarem, por sua sucessão, os suceder das horas. O poema retrata uma paisagem sujeita ao tempo, mas que o congela nos versos finais, Sal leva e traz. Para os gregos homéricos, o mar era als, alós, que significa sal. Portanto, por metonímia nomeavam o mar. Você recuperou essa imagem de modo muito surpreendente, por salientou o mar por dois de seus característicos: a salinidade e as ondas.

Seu poema é o retrato estático do mar: nada acontece, senão o olhar imperturbável sobre a marina. O movimento recupera-se no olhar que se incia, digamos, aleatoriamente, pela amarra da nau, e estende-se aos aspectos distintos de uma paisagem: nave, algas, ondas, pássaras, cetáceo, tombadilho, seguindo sempre esse cabo das horas, o seguir no tempo. Cada imagem, sendo específica, acaba por incluir outras, criando uma mistura dos componentes marítimos: Mastro / Brilho cetáceo.

O poema é inteiro em si mesmo.

Veja também:
Leia mais

‘Vagalumzzz’ é o segundo livro de poesia do psicanalista David Calderoni. Um pequeno livro-jóia, uma caixinha de surpresas recheada com inteligentes e bem humoradas reflexões filosóficas em forma de ligeiros poemas. Poemas que buscam a forma mais sintética, encontram a palavra exata e abrangem temas que vão desde a observação cotidiana àquelas questões que tiram o sono de filósofos e pensadores de todas as épocas. Adquira o livro.

Ficha técnica

Editora: Livraria Projetos Editoriais
Autor: DAVID CALDERONI
Ano: 2005
Edição: 1ª

 

Degustação de poema

Veja também:
Leia mais

na intimidade do imenso
eu sinto
o imensamente ínfimo

(poente na mesa
o quase-existente
põe fome de nome
em fome de fome)

Zórtex é o terceiro livro de poesias de David Calderoni.

Ficha Técnica

Editora: Singular Digital
Autor: DAVID CALDERONI
Ano: 2012
Edição: 1

 

Degustação de poema

Zórtex

força do primórdio da fumaça
fonte da corrente da matéria
mito escrito em sânscrito na flâmula

magma que é glândula da terra
ritmo de um méxico em guerra
física fractal de um outro outro

chuva torrencial do absoluto
claustro de um refrão que não repete
som geral do abismo especialíssimo


Foto de Marcelo Abdo.

Veja também:
Leia mais

De David Calderoni nasceu a idéia do documentário Passeios no Recanto Silvestre, filme dirigido por Miriam Chnaiderman.

Para adquirir o filme, entre em contato diretamente com a produtora [ sequência 1 ] via formulário de contato ou via telefone +55 11 3662 5350.

Sinopse

José Agripino de Paula, escritor, cineasta, dramaturgo, dos anos 60/70 residindo hoje em Embu/SP recebe uma câmera super-8 igual a que utilizava em seus filmes. Na expectativa de que filmasse, sua obra é resgatada.

No encontro com Jorge Bodanzky, diretor de fotografia de “Hitler, Terceiro Mundo”, é retratado efervescente momento brasileiro.

 

Assista o filme

 

Seleções e Participações em Festivais e Mostras

2006

– Selecionado e exibido no “É tudo verdade”;
– Exibido em ciclo de cinema do CPFL;
– Selecionado e exibido no Festival Internacional de Curtas de São Paulo;
– Selecionado e exibido no Festival de Curtas de Goiânia;
– Selecionado e exibido no Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte;
– Selecionado e exibido no 13 Cine Vídeo de Vitória;
– Participa da Mostra do Áudio-Visual Paulista;
– Exibido no Café Cultural da Sociedade Brasileira de Psicanálise;
– Exibido durante a mostra “Arte e Saúde Mental” no
Centro Cultural São Paulo;
– Selecionado e exibido na Mostra Internacional de Curtas do Rio de Janeiro;
– Exibido no Programa Zoom da TV Cultura.

2007

– Selecionado para a Mostra de Cinema de Tiradentes.

Ficha Técnica

– Formato: 35mm
– Duração: 15 minutos
– Ano de Produção: 2006
– Direção: Miriam Chnaiderman
– Argumento: David Calderoni
– Roteiro, concepção inicial e entrevistas: David Calderoni, Miriam Chnaiderman, Noemi de Araújo, Noemi Moritz Kon (Noni), Reinaldo Pinheiro, Rubens Machado.
– Produtor Executivo: Reinaldo Pinheiro
– Diretor de Fotografia: Rinaldo Martinucci
– Montagem: Cristina Amaral
– Edição de Som: Edu Santos Mendes
– Trilha Sonora: José Roberto Aguilar e Banda Performática

Veja também:
Leia mais

Proposta de David Calderoni para documentário-instituinte: filmar os preparativos, a viagem e o encontro de movimentos de economia solidária de diferentes países na cidade de Mondragón (Espanha).

Objetivos

1. pesquisar a dimensão psicossocial de diferentes relações cooperativas de trabalho

2. municiar a reflexão crítica sobre os desafios culturais da recusa à competição

3. fomentar redes internacionais de economia solidária e consensos dialógicos transculturais

 

Procedimentos

1. a partir da bibliografia básica especificada adiante, levantar informações para caracterizar internacionalmente o conjunto dos movimentos de economia solidária e as suas diferenças específicas

2. com base na tipologia assim construída, contatar representantes de diferentes espécies de movimentos de economia solidária

3. dentre os interessados no projeto do filme, verificar quais são as condições técnicas, econômicas e organizativas de participação

4. levantar fontes de fomento e de financiamento ao projeto do filme

5. montar equipes nacionais encarregadas de filmar os preparativos e a viagem dos movimentos de economia solidária de seus respectivos países, estabelecendo de antemão a cota de tempo que terão no filme e a concordância com os seus três objetivos

6. montar a equipe internacional de filmagem do encontro em Mondragón, incluindo a nomeação prévia dos responsáveis pela montagem, edição e finalização

 

Motivação

A idéia e o ideal da sociabilidade solidária constituem um sonho cuja fonte e cuja meta primam pelo profundo compromisso com a realidade social. Esse sonho singulariza-se numa história de trabalho que permite ao sonhador vislumbrar horizontes concretos para prosseguir a obra de inscrição e enraizamento da economia solidária na realidade. Queremos saber dos trabalhos desse sonho porque queremos encaminhar nossas práticas em direção ao favorecimento e à ampliação dos laços de solidariedade entre os homens.

As práticas solidárias se constroem e se efetuam numa determinada ética, qual seja, num modo de agir em face das relações inter-humanas que concebe o bem-comum como potencialização recíproca das autonomias individuais, isto é, como potencialização solidária da liberdade. A lógica competitiva, por outro lado, envolve uma ética que toma como ponto de partida a suposta necessidade econômica de opor o bem próprio ao bem alheio.

Contra o predomínio da escalada de vassalagens desencadeada pela hegemonia do paradigma competitivo despontam mundo afora engenhos instituintes libertários.

Tendo como ponto de encontro a cidade em que há meio século vem se consolidando a mais ampla experiência de economia solidária da história, Viagem a Mondragón visa propiciar olhares que entrecruzem as experiências brasileiras com as de outros países, de modo que, da produção ao produto, o filme já se constitua como experiência cooperativa internacional

 

Viagem a Mondragón 1ª parte: Trama Justa

 

Bibliografia Básica

SINGER, Paul. Introdução à Economia Solidária. São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo, 2002.

SANTOS, Boaventura de Sousa (org.). Produzir para viver: os caminhos da produção não capitalista. Civilização
Brasileira, RJ, 2002.

SANTOS, Boaventura de Sousa. “A Hermenêutica Diatópica” in A Gramática do Tempo – para uma nova cultura política. Cortez, SP, 2006, pp. 447-454.

ARRUDA, Marcos. Tornar Real o Possível. Petrópolis, Vozes, 2006.

Veja também:
Leia mais