David Calderoni

Uma Natividade Intercultural
Múltipla e Heteróclita

David Calderoni

Uma Natividade Intercultural
Múltipla e Heteróclita

Sou o caçula de três filhos de uma família judáica, com pai grego sefardim combatente da Segunda Guerra e mãe lituana ashkenazim imigrada nos primeiros tempos da Revolução Russa : “filho de safadinho com esquisitinha”, no traduzir brincalhão do sábio e saudoso Isaias Mehlson.

Insuspeitada à primeira vista, na anedota de Isaias reconheço uma profundidade que leva à estrutura dinâmica do meu capital simbólico originário.

A diversidade de origens de meus pais fez com que crescessem ambientados em diferentes dialetos judaicos, sendo o dela o idish (derivado de um alemão arcaico simplificado) e o dele o ladino (derivado do antigo espanhol e, em menor proporção, do que viria a ser o português).

Diferiam também em outros idiomas formantes: enquanto minha mãe fora familiarizada com o russo, o polonês (vindo da babá) e o alemão, meu pai falava o grego, o turco (vindo da babá) e algumas línguas eslavas (mas do russo sabia escassos jargões), às quais se justapuseram no campo de concentração o italiano e o francês.

Possui graduação em Psicologia pela Universidade de São Paulo (1983), mestrado (1994) e doutorado (2001) pelo Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano da Universidade de São Paulo e pós-doutorado pelo Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de São Paulo.

É membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae em São Paulo. Professor e membro do Conselho de Coordenação do Curso de Psicopatologia e Saúde Pública da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Organizou e prefaciou os livros Psicopatologia: vertentes, diálogos – psicofarmacologia, psiquiatria, psicanálise (Via Lettera, 2002), Psicopatologia: Clínicas de Hoje (Via Lettera, 2006) e Espinosa e a Psicologia Social, de Laurent Bove (Autêntica, 2009) e do livro O precariado: a nova classe perigosa de Guy Standing (2015).

Foi coorganizador e autor do livro Construções da felicidade (2015) e autor do posfácio do livro Educação democrática: o começo de uma história (2016). Concebeu o argumento de Passeios no Recanto Silvestre (2006), curta-metragem sobre a vida & obra do artista José Agrippino de Paula.

Produziu Trama Justa (2007), documentário sobre economia solidária. Mediante pesquisa-ação no Quilombo da Fazenda (Ubatuba-SP) realizada em seu pós-doutorado, organizou/participou do CD Quilombo Canta e produziu o documentário Invenções Democráticas no Quilombo. O contexto das atividades político-culturais do Projeto Quilombo Livre (NUPSI) estão no documentário Economia Solidaria em Ubatuba (2013).

É autor de Enviajando (Via Lettera, 2004), Vagalumzzz (Livraria, 2005) e Zórtex (Singular, 2012), livros de poesia. Produziu com suas canções os CDs Viação (1998), Regeneração (2004) e Onde a pele da alma é fina (2012), Meu Rei (2014), A casa pelada (2019).

Lançando em 2011 a canção Mim (já vertida para o Tupi e o Francês), inaugurou o Projeto Transcriando: a música como invenção democrática transculturante.

Atua principalmente em: psicopatologia, psicologia, psicanálise, saúde pública, invenções democráticas, ciência do singular e na composição e execução de canções.

O Poeta

O Poeta

É autor de Enviajando (Via Lettera, 2004), Vagalumzzz (Livraria, 2005) e Zórtex (Sinergia, 2012).

Em 1976, aos 18 anos, em virtude de estrofes encabeçadas pelo verso Hoje eu encontrei com meu pai, foi declarado poeta pelo escritor, dramaturgo e psicoterapeuta Roberto Freire em artigo intitulado É preciso saber morrer o pai para não cometer suicídio, que Freire publicou no periódico Aqui São Paulo e republicou em 1977 na abertura do livro Viva Eu, Viva Tu, Viva o Rabo do Tatu!.
Em 1993, entre 900 inscritos, A João Guimarães Rosa figurou entre os 31 poemas selecionados e publicados pela União Brasileira de Escritores na Antologia do Concurso Nacional Gilberto Mendonça Teles de Poesia.

Os poemas Sexo e Oração para Haroldo foram publicados na edição de 11 de julho de 2004 do Caderno de Cultura do jornal Folha de São Paulo, acompanhados de ilustrações do artista plástico Felipe Cohen feitas especialmente para os poemas.
david calderoni, documentarista,

Concebeu o argumento e foi co-autor do roteiro e das entrevistas de Passeios no Recanto Silvestre (2006), curta-metragem dirigido por Miriam Chnaiderman sobre a vida & obra do mutiartista José Agrippino de Paula.

Dirigiu Trama Justa (2007), documentário inaugural do projeto Viagem a Mondragón, destinado a filmar os preparativos, a viagem e o encontro de diferentes iniciativas internacionais de economia solidária naquela região do País Basco. A proposta repercutiu na Itália através da montagem de Regiana Queiroz intitulada Intervista Paul Singer / Viaggio a Mondragón – progetto di documentario a cura di David Calderoni su i movimenti dell’ economia solidale.

Dirigiu Invenções Democráticas no Quilombo (2010), documentário sobre a história das lutas político-culturais da comunidade do Quilombo da Fazenda (Ubatuba- SP) e do seu encontro com o movimento das Invenções Democráticas – filme selecionado, exibido e debatido em junho de 2011 no evento parisiense Brésil en Mouvements, principal mostra europeia dedicada aos documentários sociais brasileiros.

o documentarista

o documentarista

Concebeu o argumento e foi co-autor do roteiro e das entrevistas de Passeios no Recanto Silvestre (2006), curta-metragem dirigido por Miriam Chnaiderman sobre a vida & obra do mutiartista José Agrippino de Paula.

Dirigiu Trama Justa (2007), documentário inaugural do projeto Viagem a Mondragón, destinado a filmar os preparativos, a viagem e o encontro de diferentes iniciativas internacionais de economia solidária naquela região do País Basco. A proposta repercutiu na Itália através da montagem de Regiana Queiroz intitulada Intervista Paul Singer / Viaggio a Mondragón – progetto di documentario a cura di David Calderoni su i movimenti dell’ economia solidale.

irigiu Invenções Democráticas no Quilombo (2010), documentário sobre a história das lutas político-culturais da comunidade do Quilombo da Fazenda (Ubatuba- SP) e do seu encontro com o movimento das Invenções Democráticas – filme selecionado, exibido e debatido em junho de 2011 no evento parisiense Brésil en Mouvements, principal mostra europeia dedicada aos documentários sociais brasileiros.

o CANCIONISTA

o CANCIONISTA

Registrou 28 composições, voz e violão nos CDs Viação (1998) e Regeneração (2004).

Criou canções interpretadas por Mônica Salmaso, Ná Ozzetti, Luiz Tatit e pela cantora portuguesa Eugénia Melo e Castro.

Fez parcerias (várias ainda inéditas) com Rafael Lobo, Ricardo Breim, Arnaldo Antunes, Fabio Tagliaferri, Eduardo Santhana, Roberto Freire, Ciro Pessoa, Ricardo Azevedo, Jeffrey Levine, Yves de La Taylle, Francis Brasilis, Jaborandy Tupinambá, Dominique Di Bisceglie, Euclides Marques, Marilena Chauí, André Singer – e, entre os Calderonis, com seu irmão Sabetai e seus sobrinhos Ricardo e Vinícius.
Na imbricação de suas iniciativas como cancionista e ativista político-cultural, lançou na França em 2011 a canção Mim (já vertida para o Tupi e o Francês), ponta-de-lança do Projeto Transcriando – a música como invenção democrática transculturante, voltado à recontextualização intercultural dialógica de canções propícias ao crescimento de direitos étnicos democráticos [projeto publicizado em vimeo.com/davidcalderoni ].

Para 2012, estão previstos os lançamentos do CD Onde a pele da alma é fina (contendo arranjos do Maestro Luís E. Corbani executados pela Camerata Studio, integrada por músicos da OSESP), do CD Justo & Solto (em parceria com o cantor e violonista carioca Rafael Lobo) e de um songbook com 50 canções transcritas pelo concertista e compositor Diogo Carvalho.

À época da pré-produção do CD Viação, Luiz Tatit escreveu: “Além do talento para estabelecer relações inesperadas – ao mesmo tempo adequadas – entre melodias e letras, David executa seu violão de maneira a incorporá-lo no âmago da composição, combinando habilidade técnica e originalidade nas soluções harmônicas e rítmicas. Autor de vasto repertório, do qual posso destacar canções muito bem elaboradas como Pelicano, Nadia e a estupenda Romance, este cancionista faz parte do som oculto de São Paulo que, mais cedo ou mais tarde, chegará ao público por simplesmente não poder mais ser abafado.”

Estas e outras produções do autor encontram-se em davidcalderoni.art.br e vimeo.com/davidcalderoni .

Estamos quites: / a vida está presente // o mundo se move / estou presente e movente // Tudo está de pé / Perfeito // Palpitantemente / ôco maciço sexo peito // Tudo pousa em tudo / e delineia um horizonte: // Aprendi-me aprendiz aí-onde / o luminoso é reflexão do luminoso // E no prolongamento do encontro / sonho pensamento do corpo.

o psicólogo e psicanalista

É pós-doutor em Psicologia pela USP, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae e do Grupo de Estudos Espinosanos da FFLCH- USP, pesquisador/co-fundador do Nupsi – Núcleo de Psicopatologia, Políticas Públicas de Saúde Mental e Ações Comunicativas em Saúde Pública e professor/co-fundador do Curso de Psicopatologia e Saúde Pública (FSP-USP), onde concebeu e vem ministrando a disciplina Espinosa contra Aristóteles: ciência do singular e ciência do universal na psicopatologia da psicose infantil e do autismo.

É autor de: O Caso Hermes: a dimensão política de uma intervenção psicológica em creche – um estudo em psicologia institucional (Casa do Psicólogo/Fapesp, 2004) e O silêncio à luz – ensaios para uma ciência do singular. Escritos psicopatológicos e estético-críticos sobre obras de Caetano Veloso, Chico Buarque, Eugène Minkowski, Guilherme Messas, Jean Bergeret, Oliver Sacks, Roberto Benigni, Sigmund Freud (Via Lettera, 2006).

  • O Caso Hermes originou-se de um mestrado apresentado em 1994 no Instituto de Psicologia da USP à banca formada pelo filósofo político Sérgio Cardoso e pelas psicólogas Marlene Guirado e Maria Luísa Schmidt. Foi aprovado com a nota dez, com louvor, “pela inovação na constituição de um campo de investigação e intervenção psicológica no âmbito institucional e pelo virtuosismo na interpretação dos elementos configurados no caso em análise.”
  • O silêncio à luz, cujo ensaio central rendeu ao autor um emocionado encontro pessoal com Caetano Veloso, foi assim avaliado pelo filósofo Cristiano Novaes de Rezende: “o trabalho científico aqui empreendido compartilha com a criação artística a capacidade de proporcionar um modo peculiar de fruição e união com os objetos tratados, oferecendo ao leitor, simultaneamente, a clareza dos conceitos bem ordenados e a experiência afetiva de uma prazerosa compreensão.”

Organizou e prefaciou os livros Psicopatologia: vertentes, diálogos – psicofarmacologia, psiquiatria, psicanálise (Via Lettera, 2002, vários autores), Psicopatologia: Clínicas de Hoje (Via Lettera, 2006, vários autores) e Espinosa e a Psicologia Social, de Laurent Bove (Autêntica, 2009).

A partir do tratamento psicanalítico de uma adolescente e de pesquisas e estudos realizados no Laboratório de Psicopatologia Fundamental da PUC-SP (1995 a 2000) e no Laboratório de Óptica do Instituto de Física da USP (2001), formulou a proposta da Psicologramática, campo científico formado pela confluência entre a física da luz e a psicologia profunda, conforme exposto em sua tese de doutorado Memorial de Nair: hipóteses sobre a gênese da simbolização à luz de um suposto caso de psicose ou autismo (IP-USP, 2001).

o ativista político-cultural

o ativista político-cultural

Mediante pesquisa-ação no Quilombo da Fazenda (Ubatuba-SP) realizada em seu pós-doutorado O problema da culpa na obra de Freud na perspectiva de uma metapsicologia da cultura (IP-USP/Fapesp), organizou/participou do CD Quilombo Canta e produziu o documentário Invenções Democráticas no Quilombo (ambos com apoio da Fapesp). Esta intervenção investigativa prossegue no Nupsi, no bojo do Projeto Quilombo Livre, voltado a estudar, registrar e apoiar a luta comunitária pelo direito à terra, ao trabalho e ao desenvolvimento cultural.

Em 2009, no colóquio O Direito e a Psicopatologia para a Saúde Pública, mediante análise da Carta de 88 como fundamento daquilo que o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece quanto aos direitos dos seres em desenvolvimento, propugnou como direito psíquico constitucionalmente assegurado o direito ao encantamento, posto que essencial ao desenvolvimento humano, tese com que concordou a professora de Direito Constitucional Gisela Maria Bester.

Visando à democratização da alegria e à promoção da liberdade psíquica – concebida como o exercício espontâneo e singular dos direitos psíquicos fundamentais (sonhar, pensar, sentir e comunicar), formulou a proposta da psicopatologia para a saúde pública, movimento concebido como o esforço contínuo de investigação e cura do que se contrapõe à trama psicossocial do cuidado de si e do semelhante, conforme exposto em suas contribuições para a coletânea Invenções Democráticas: a dimensão social da saúde, organizada por seu amigo Marcelo Gomes Justo (Autêntica, 2009). Em três artigos desta publicação, fundamentou a articulação das Invenções Democráticas (que definiu como maneiras criativas e solidárias de desenvolver autonomia e cooperação), catalisando a convergência entre a economia solidária, a Justiça Restaurativa, a Educação Democrática, a filosofia espinosana e a própria psicopatologia para a saúde pública.

Nesse percurso, tornou-se militante/co-fundador do movimento das Invenções Democráticas e idealizador da coleção homônima publicada pela Autêntica Editora (BH), co-organizando em abril de 2011 na FSP-USP o I Colóquio Internacional Invenções Democráticas em Interação, que possibilitou interlocuções presenciais entre cerca de 400 cidadãos do mundo sobre empreendimentos autogestionários da Alemanha, da Argentina e de índios do Xingu, entre vários outros cantos do Brasil.

Estas e outras produções do autor encontram-se em davidcalderoni.art.br e vimeo.com/davidcalderoni .