Sexo não existe.
Precisa ser feito.
No homem, erigido.
Na mulher, cavado.
Oração para Haroldo
signo
igneo
hino
nu
cante
ante
ti
significante
Informação
Poemas publicados na edição de 11 de julho de 2004 do Caderno de Cultura do jornal Folha de São Paulo, acompanhados de ilustrações do artista plástico Felipe Cohen feitas especialmente para os poemas.
Enviajando reúne uma série de poemas de David Calderoni escritos em momentos bem distintos. Os poemas trazem a marca de uma criação inquieta, lúcida e por vezes irônica. Alguns deles se lançam sobre o leitor de forma abrupta como se quisessem, com um pequeno empurrão, fazê-lo cair e tropeçar.
Definitivamente: teríamos outro modo de saber sobre o que nos funda senão através destas quedas? Adquira o livro
Ficha Técnica
Editora: Via Lettera
Autor: DAVID CALDERONI
Ano: 2004
Edição: 1
Degustação de poema
Religare (Por um fio)
Teletransporte
a sua viva
voz
através
de seu bege
telefone
Que eu aqui
dentro da concha
do orelhão
te ouço
pelo vermelho
aparelho
Mas nada falo.
Colho o som
cai a chuva
sobre o laranja
anteparo
Sou cinza céu cinza sou
Silencioso oro
Vídeo do lançamento
Palavras do prefaciador
Por Edson Luiz André de Sousa
Querido David,
Teus poemas me acompanham desde o final do ano passado. Diariamente pensava neles e arquitetava algumas ideias para o texto que me pediste. O desafio foi grande. Há algo de íntimo na poesia que por vezes constrange a intrusão de outras palavras.
Da leitura que fiz marquei algumas ideias e algumas passagens que me tocaram, mas nem todas entraram no texto final. Procurei ser sintético e de certa forma minimalista em meus comentários. São tuas palavras que devem falar e certamente se apresentam a si mesmas. Gostei muito da experiência embora, confesso, não tenha sido fácil.
Desculpe a demora mas vejo que tens este cuidado de quem sabe esperar… Por vezes, este é o tempo de que precisamos.
Um abraço carinhoso
Edson
Entrevista
Fazer música, poesia e psicanálise tem a ver com duas coisas estreitamente vinculadas: a pergunta pela origem das coisas e a necessidade de criar novas formas sensíveis. Tal necessidade brota da pressão expressiva do originário que ainda não tem nome. Sobre o barbante de que fala Maria Rita, eu diria que ser psicanalista é para mim, no mais das vezes, liberar o sutil onde o rude se amarra. E esse sutil é o mais singular de uma natureza que, voltando-se sobre si mesma, encontra força interior para sobrepujar as agruras do traumático.
Algo das relações simbólicas e imaginárias necessárias e universais de uma cultura só pode ser conhecido através daquilo que um sujeito produz de único.
Não há no pensar sobre a arte nada de aprioristicamente reducionista na utilização de dados biográficos – desde que postos a serviço de evidenciar motivos geradores latentes do próprio fazer artístico que, enquanto tal, parteja universos singularizantes.
Trecho da entrevista de David Calderoni concedida à jornalista e crítica de arte Juliana Monachesi por ocasião do lançamento em 27/03/2004 do livro de poemas Enviajando (Via Lettera, 2004) e do CD Regeneração (autoprodução, 2004). Acesse aqui a entrevista na íntegra.
Apreciação crítica (CD Regeneração e Livro Enviajando)
Por Marcos Cardoso Gomes
Li com cuidado alguns de seus poemas de Enviajando, já ouvi três vezes o disco Regeneração, detendo-me pouco em qualquer uma das músicas, apenas para me familiarizar com o som. Parece-me bom, tranqüilo, com letras a exigir reflexão. Particularmente Maná, nesta primeira safra de audição.
Uma das qualidades de seu trabalho é a habilidade de tratar a sonoridade das palavras. Você joga bem com elas. Agrada-me, por exemplo, num poeta como Ricardo Reis, o jogo sonoro de Colhamos flores / molhemos leves / as nossas mãos. Agrada-me o choque sonoro do lha com o lhe, mais o jogo sintático, flores, objeto e leves, predicativo do sujeito.
Você não faz propriamente essa alternância, mas desenvolve outras. Por exemplo: Olha o cabo / a corda / a amarra, sinonímia que segue em que ata / o barco / à borda, cruzando o jogo semântico ao sintático, na interessante comutação de fonemas: o / à, ar / or, c / d (estas últimas, da aproximada natureza constituinte, opostas no jogo surda / sonora). Acrescente-se o ritmo que permeia esses versos: há um nítida alternância longa / breve (tônica / átona) desde Olha o cabo / a corda / a amarra / que ata / o barco / à borda. Em grego, esse ritmo seria o troqueu. O ritmo mantém-se, apesar de aparentemente os versos se inciarem por sílabas átonas. Mas essas são engolidas pela última átona do verso anterior. Portanto, a divisão rítimica se faz assim: Olha o cabo a / corda a / amarra / que^a – ta o / barco à / borda.
A estrofe seguinte apresenta um apuro sonoro magistral: Dia rima com cria, Ave, com Nave, alga, com arde, num jogo L / R interessante; algas / Arde / Orla e tarde fazem um jogo magnífico, compondo-se com a vibrante R.
O poema denomina-se Cabo das horas. O cabo das horas poderá significar o cabo do barco, que o prende ao cais, mas ecoa nele “ao cabo das horas”, a passagem do tempo, marcada dentro do texto por Dia, tarde, Pérola argêntea que se refaz (entendi dessa imagem que você apontou o sol, e seu renascer diário – mas porque tarde, apresenta-se com características da lua, daí argêntea) Alento da ronda / das pássaras, Nasce / Negra corola, Água marmórea, a indicarem, por sua sucessão, os suceder das horas. O poema retrata uma paisagem sujeita ao tempo, mas que o congela nos versos finais, Sal leva e traz. Para os gregos homéricos, o mar era als, alós, que significa sal. Portanto, por metonímia nomeavam o mar. Você recuperou essa imagem de modo muito surpreendente, por salientou o mar por dois de seus característicos: a salinidade e as ondas.
Seu poema é o retrato estático do mar: nada acontece, senão o olhar imperturbável sobre a marina. O movimento recupera-se no olhar que se incia, digamos, aleatoriamente, pela amarra da nau, e estende-se aos aspectos distintos de uma paisagem: nave, algas, ondas, pássaras, cetáceo, tombadilho, seguindo sempre esse cabo das horas, o seguir no tempo. Cada imagem, sendo específica, acaba por incluir outras, criando uma mistura dos componentes marítimos: Mastro / Brilho cetáceo.
‘Vagalumzzz’ é o segundo livro de poesia do psicanalista David Calderoni. Um pequeno livro-jóia, uma caixinha de surpresas recheada com inteligentes e bem humoradas reflexões filosóficas em forma de ligeiros poemas. Poemas que buscam a forma mais sintética, encontram a palavra exata e abrangem temas que vão desde a observação cotidiana àquelas questões que tiram o sono de filósofos e pensadores de todas as épocas. Adquira o livro.
Ficha técnica
Editora: Livraria Projetos Editoriais
Autor: DAVID CALDERONI
Ano: 2005
Edição: 1ª
De David Calderoni nasceu a idéia do documentário Passeios no Recanto Silvestre, filme dirigido por Miriam Chnaiderman.
Para adquirir o filme, entre em contato diretamente com a produtora [ sequência 1 ] via formulário de contato ou via telefone +55 11 3662 5350.
Sinopse
José Agripino de Paula, escritor, cineasta, dramaturgo, dos anos 60/70 residindo hoje em Embu/SP recebe uma câmera super-8 igual a que utilizava em seus filmes. Na expectativa de que filmasse, sua obra é resgatada.
No encontro com Jorge Bodanzky, diretor de fotografia de “Hitler, Terceiro Mundo”, é retratado efervescente momento brasileiro.
Assista o filme
Seleções e Participações em Festivais e Mostras
2006
– Selecionado e exibido no “É tudo verdade”;
– Exibido em ciclo de cinema do CPFL;
– Selecionado e exibido no Festival Internacional de Curtas de São Paulo;
– Selecionado e exibido no Festival de Curtas de Goiânia;
– Selecionado e exibido no Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte;
– Selecionado e exibido no 13 Cine Vídeo de Vitória;
– Participa da Mostra do Áudio-Visual Paulista;
– Exibido no Café Cultural da Sociedade Brasileira de Psicanálise;
– Exibido durante a mostra “Arte e Saúde Mental” no
Centro Cultural São Paulo;
– Selecionado e exibido na Mostra Internacional de Curtas do Rio de Janeiro;
– Exibido no Programa Zoom da TV Cultura.
2007
– Selecionado para a Mostra de Cinema de Tiradentes.
Ficha Técnica
– Formato: 35mm
– Duração: 15 minutos
– Ano de Produção: 2006
– Direção: Miriam Chnaiderman
– Argumento: David Calderoni
– Roteiro, concepção inicial e entrevistas: David Calderoni, Miriam Chnaiderman, Noemi de Araújo, Noemi Moritz Kon (Noni), Reinaldo Pinheiro, Rubens Machado.
– Produtor Executivo: Reinaldo Pinheiro
– Diretor de Fotografia: Rinaldo Martinucci
– Montagem: Cristina Amaral
– Edição de Som: Edu Santos Mendes
– Trilha Sonora: José Roberto Aguilar e Banda Performática
Proposta de David Calderoni para documentário-instituinte: filmar os preparativos, a viagem e o encontro de movimentos de economia solidária de diferentes países na cidade de Mondragón (Espanha).
Objetivos
1. pesquisar a dimensão psicossocial de diferentes relações cooperativas de trabalho
2. municiar a reflexão crítica sobre os desafios culturais da recusa à competição
3. fomentar redes internacionais de economia solidária e consensos dialógicos transculturais
Procedimentos
1. a partir da bibliografia básica especificada adiante, levantar informações para caracterizar internacionalmente o conjunto dos movimentos de economia solidária e as suas diferenças específicas
2. com base na tipologia assim construída, contatar representantes de diferentes espécies de movimentos de economia solidária
3. dentre os interessados no projeto do filme, verificar quais são as condições técnicas, econômicas e organizativas de participação
4. levantar fontes de fomento e de financiamento ao projeto do filme
5. montar equipes nacionais encarregadas de filmar os preparativos e a viagem dos movimentos de economia solidária de seus respectivos países, estabelecendo de antemão a cota de tempo que terão no filme e a concordância com os seus três objetivos
6. montar a equipe internacional de filmagem do encontro em Mondragón, incluindo a nomeação prévia dos responsáveis pela montagem, edição e finalização
Motivação
A idéia e o ideal da sociabilidade solidária constituem um sonho cuja fonte e cuja meta primam pelo profundo compromisso com a realidade social. Esse sonho singulariza-se numa história de trabalho que permite ao sonhador vislumbrar horizontes concretos para prosseguir a obra de inscrição e enraizamento da economia solidária na realidade. Queremos saber dos trabalhos desse sonho porque queremos encaminhar nossas práticas em direção ao favorecimento e à ampliação dos laços de solidariedade entre os homens.
As práticas solidárias se constroem e se efetuam numa determinada ética, qual seja, num modo de agir em face das relações inter-humanas que concebe o bem-comum como potencialização recíproca das autonomias individuais, isto é, como potencialização solidária da liberdade. A lógica competitiva, por outro lado, envolve uma ética que toma como ponto de partida a suposta necessidade econômica de opor o bem próprio ao bem alheio.
Contra o predomínio da escalada de vassalagens desencadeada pela hegemonia do paradigma competitivo despontam mundo afora engenhos instituintes libertários.
Tendo como ponto de encontro a cidade em que há meio século vem se consolidando a mais ampla experiência de economia solidária da história, Viagem a Mondragón visa propiciar olhares que entrecruzem as experiências brasileiras com as de outros países, de modo que, da produção ao produto, o filme já se constitua como experiência cooperativa internacional
Viagem a Mondragón 1ª parte: Trama Justa
Bibliografia Básica
SINGER, Paul. Introdução à Economia Solidária. São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo, 2002.
SANTOS, Boaventura de Sousa (org.). Produzir para viver: os caminhos da produção não capitalista. Civilização
Brasileira, RJ, 2002.
SANTOS, Boaventura de Sousa. “A Hermenêutica Diatópica” in A Gramática do Tempo – para uma nova cultura política. Cortez, SP, 2006, pp. 447-454.
ARRUDA, Marcos. Tornar Real o Possível. Petrópolis, Vozes, 2006.
O documentário apresenta a história das lutas político-culturais da comunidade do Quilombo da Fazenda (SP) e o seu encontro com o movimento das Invenções Democráticas, fazendo com que as narrativas dos quilombolas dialoguem com Paul Singer e Augusto Neiva (economia solidária), Maria Luci Buff Migliori (justiça restaurativa), David Calderoni (psicopatologia para a saúde pública), Helena Singer & Marcelo Justo (educação democrática) e André Rocha & Cristiano Rezende (filosofia espinosana).
Onde comprar
– Online pela Livraria Cultura.
– Em São Paulo pela Livraria do Espaço Unibanco SP – Tel: (11) 3141-2610
– No Rio de Janeiro pela Livraria Moviola – Tel: (21) 2285-8339
Exibições
Brésil en Mouvements, mostra de documentários sociais brasileiros promovida pela ONG Autres Brésils em junho de 2011 em Paris.
Degustação do filme
Assista o documentário em português. Para assistir em inglês, francês, espanhol ou alemão, acesse o canal de David Calderoni no Vimeo.
Ficha Técnica
– Direção e Roteiro: David Calderoni e Laura Del Rey
– Produção: David Calderoni
– Direção de Fotografia: Luiz Otavio Pupo
– Montagem: Laura Del Rey
– Áudio: Adonias Souza Jr, Cristina Müller e Vitor Motter
– Trilha Sonora: Euclides Marques (Gravação: Luiz Encarnação)
– Tradução para o inglês: Leandro Moura
– Legendas em inglês: Cristina G. Miller
– Tradução para o francês: Dominique Di Bisceglie
– Legendas em francês: Rogério de Moura
– Gênero: Documentário
– Captação: Digital
– Duração: 33min45seg
– Ano: 2010
Projeto Transcriando: a música como invenção democrática transculturante
Este vídeo inaugura o projeto que nasceu do encontro entre índio, quilombola, franceses e brasileiros durante a apresentação do filme “Invenções Democráticas no Quilombo”, de David Calderoni, na “Brésil en Mouvements”, mostra parisiense de documentários sociais brasileiros promovida pela ONG Autres Brésils em junho de 2011.
Assim como nas sobremesas brasileiras queijo não se come com vinho, tampouco fromage se come com goiabada: mais que traduzir e para além da busca de correspondências linguísticas literais, transcriar é engendrar encontros poéticos que reintepretem símbolos de uma cultura no contexto de outras, propiciando não apenas a reinvenção da língua-meta, como também a renovação reflexiva e singular da própria língua-fonte.
Nesse sentido, vencendo barreiras étnicas, sociais e geopolíticas, os movimentos interculturais em favor da universalização de direitos humanos democráticos encontram a música enquanto arte única em sua potência para comunicar afetos tão essenciais quanto intraduzíveis.
Reinterpretando a figura do índio, a canção “Mim”, de David Calderoni, é a ponta-de-lança deste projeto. Já foi transcriada em Francês e em Tupi. Material para trabalhos vindouros!
Propostas de novas transcriações podem ser encaminhadas pela página de Contato.
Projeto Transcréation: la musique comme invention démocratique transculturante
Cette vidéo inaugure le projet qui de la rencontre entre des indiens du brésil, des quilombolas (descendants d’esclaves rebelles), des français et des brésiliens pendant la présentation du film “Inventions Démocratiques dans le Quilombo”, de David Calderoni, au festival parisien de documentaires sociaux brésiliens “Brésils en Mouvements”, organisé par l’association Autres Brésils en juin 2011.
Dans les désserts brésiliens, on ne mange pas le fromage avec du vin; de la même manière, le fromage français ne se mange pas avec de la pate de goyave: au delà de la traduction et de la recherche de correspondances linguistiques littérales, la transcréation (idée d’Haroldo de Campos) est le fait d’engendrer des rencontres poétiques qui réinterprètent les symboles d’une culture dans le contexte d’une autre, permettant non seulement la réinvention de la langue-objectif, mais également la rénovation réflexive et singulière de langue-source elle même, afin d’ouvrir des dialogues intra et interculturels.
De cette manière, en dépassant les barrières ethniques, sociales et géopolitiques, les mouvements interculturels en faveur de l’universalisation de droits de l’Homme démocratiques trouvent en la musique un art unique dans sa capacité de communiquer des affects aussi essentiels qu’intraduisibles.
En réinterprétant la figure de l’indien, la chanson “Mim” (“Moi, l’indien”) de David Calderoni, est le fer de lance de ce projet. Elle a déjà été transcréée en français et en tupi. Du matériel pour des travaux à venir!
Les propositions de nouvelles transcréations peuvent être transmises à page Contact.
Vídeo
Degustação de músicas
Acesse cada letra em seu respectivo link ou baixe todas aqui neste link.
Pelicano
Canção pela erradicação da miséria e da fome. Acesse aqui a letra.
Trama Justa
Canção pela economia solidária. Acesse aqui a letra.
Olha o Degrau!
Canção pelo direito à terra de quilombolas, caiçaras e índios. Acesse aqui a letra.
Mim
Canção ligada ao etnociberativismo.
– Acesse aqui e letra de Mim.
– Acesse aqui e letra de Moi L’Indien (transcriação para o Francês).
– Acesse aqui a letra de Mim transcriada para o Tupi.
Cada Canto
Canção para que todos tenham casa decente. Acesse aqui a letra.
N’Jeri
Canção para que drogas sejam antes questão de saúde que de polícia. Acesse aqui a letra.
Esta página foi arquitetada para complementar e contextualizar “Onde a Pele da Alma é Fina”, terceiro disco de David Calderoni.
Apresentação
Por David Calderoni, outono de 2012
Revendo os meus percursos até este terceiro disco, penso no quanto a música se tornou essencial para mim e para o além de mim.
Para o Além de Mim, cantos brotam sonhos que enlaçam outros…:
fruto da minha paixão pela economia solidária, Trama Justa é a canção-trilha do meu documentário homônimo centrado na Justa Trama, cadeia autogestionária do algodão orgânico integrado pelas aguerridas amigas gaúchas da Univens – Cooperativa de Costureiras Unidas Venceremos;
Trama Justa inicia a jornada de Viagem a Mondragón, projeto de filmagem, intervenção e investigação noticiado adiante;
tributo de gratidão à queridíssima mestra-parceira Marilena Chauí, Despedida descortina a sua poesia a um só tempo sublime e visceral, néctar que me nutre há décadas de artepensamento…; vem daí que, sem que eu me desse conta, o Benedito de Trama Justa já se preparava na idéia de que a verdade é luz que a si mesma se manifesta;
desfraldando o Projeto Transcriando, a canção Mim motivou-se do encontro entre brasileiros, franceses, índios e quilombolas em junho de 2011, durante a projeção e debate do meu vídeo Invenções Democráticas no Quilombo na Brésil en Mouvements, mostra parisiense de documentários sociais brasileiros, promovida pelos confrades altermundialistas da ONG Autres Brésils;
composta em 2011, Levante da Aurora desenvolve imageticamente reflexões de O silêncio à luz de Caetano, ensaio que escrevi dez anos antes para uma coletânea sobre arte e psicanálise, dando a pensar que, para a sede de justiça do judeu tão estrangeiro no espaço como no tempo, uma saída do exílio vem sendo articular com as artes as ágoras dos de fora do agora – tais como Invenções Democráticas no Quilombo que desaguaram em Mim e no Projeto Transcriando (referidos adiante).
Nas palavras cruzadas do inferno ao eterno, Lírios e Onde a Pele da Alma é Fina vocalizam balanços sobre e sob os influxos do amor. Assim como as canções dedicadas à filha Júlia, à neta Clara, ao amigo Cristiano e aos manos Zé e Sá, simbolizam a música como fiação originária dos mais caros laços humanos, testemunhados pelo encontro com os excelentes músicos e colaboradores elencados e, particularmente, com Rafael Lobo, parceiro de ouro, com quem já estamos a confeccionar Justo & Solto, novo disco a ser lançado no corrente ano.
Sobre a aventura-travessia-urdidura que foi o casamento de ritmos e estilos de criação entre mim e os músicos e arranjadores que se enlaçam neste disco…, não consigo falar nada à altura.
Que advenha, então, o tempo do silêncio: de quem me escuta e imagina; do que me é onda ultramarina.
Sobre David
David Calderoni, poeta,
é autor de Enviajando (Via Lettera, 2004), Vagalumzzz (Livraria, 2005) e Zórtex (Sinergia, 2012).
Em 1976, aos 18 anos, em virtude de estrofes encabeçadas pelo verso Hoje eu encontrei com meu pai, foi declarado poeta pelo escritor, dramaturgo e psicoterapeuta Roberto Freire em artigo intitulado É preciso saber morrer o pai para não cometer suicídio, que Freire publicou no periódico Aqui São Paulo e republicou em 1977 na abertura do livro Viva Eu, Viva Tu, Viva o Rabo do Tatu!.
Em 1993, entre 900 inscritos, A João Guimarães Rosa figurou entre os 31 poemas selecionados e publicados pela União Brasileira de Escritores na Antologia do Concurso Nacional Gilberto Mendonça Teles de Poesia.
Os poemas Sexo e Oração para Haroldo foram publicados na edição de 11 de julho de 2004 do Caderno de Cultura do jornal Folha de São Paulo, acompanhados de ilustrações do artista plástico Felipe Cohen feitas especialmente para os poemas.
Neste link você tem acesso às partituras dos violões, transcritas com maestria por Diogo Carvalho. Neste outro, tem acesso aos primorosos arranjos de cordas do Maestro Luís E. Corbani.
Projeto Transcriando
1. Vídeo de apresentação do projeto, contendo clipe da canção Mim
2. Canção Moi L’Indien
Transcriação em parceria com Dominique Di Bisceglie & Jean-Francis Poulet (Francis Brasilis). Acesse a letra da canção aqui.
3. Transcriação de ‘Mim’ para o Tupi
Transcriação realizada por Jaô Tupinambá. Acesse aqui.
Canção extraída da trilha sonora do documentário. Acesse neste link a letra da canção e neste o primoroso arranjo de cordas do Maestro Luís E. Corbani.
Camerata Studio
– Violinos: Alexey Chashnikov (spalla), Andreas Uhlemann, Carolina Kliemann, Elina Suris e Tatiana Vionogradova
– Viola: Andrés Lepage
– Violoncelo: Heloísa T. Meirelles
– Contrabaixo: Alexandre Rosa
– Arranjos e regência: Luís E. Corbani
– Preparação e direção vocal: Viviane Barrichello e Wagner Barbosa
– Transcrição do violão original em partituras: Diogo Carvalho
Gravações
– Estúdio Arsis (SP): Adonias Souza Jr. (todas as canções) e Daniel Tápia (Mano ao Mar, Levante da Aurora, Onde a Pele da Alma é Fina e Trama Justa)
– Studio Brothers (Porto Alegre): Wayner Nunes (Moi L’Indien)
– Estúdio 185 (SP): Rodrigo Carraro (Pelos Olhos de Clara e Mim) e Beto Mendonça (Mim) Estúdio Tocalyra (RJ): Vinícius Lyra (Mim, pré-produção)
– Estúdio Garimpo (RJ): Emiliano Sette (Macumba-Ciranda, pré-produção)
– Estúdio Wave (Ubatuba-SP): Vitor Larangeira (Levante da Aurora, Lírios e Macumba-Ciranda)
– Design do encarte: Laura Del Rey
Fotos
– Olho de David: Laura Del Rey; David e Rafael: Vitor Larangeira; David e Clara (com retrato de Dri): Lucas Bittencourt Martins Moreira
– Mixagem e Masterização: Adonias Souza Jr. – Estúdio Arsis (SP)
– Produção: David Calderoni e Adonias Souza Jr.
– Agradecimentos: a Talitha e Vitor Larangeira e a Marco Niz, pelas inesquecíveis jornadas solidárias de gravações em Ubatuba e a Ulisses Rocha, pela generosa e preciosa consultoria.
O CD Viação vem levar a público dezessete canções de David Calderoni, representando uma amostra de mais de vinte anos de experiências originais de composição e interpretação inspiradas na tradição do violão cancionista brasileiro.
O CD Viação conta com a força de nomes expressivos do mundo das artes e da cultura, como Antonio Carlos Carrasqueira, Arnaldo Antunes, Eugénia Melo e Castro, Fabio Tagliaferri, Luiz Tatit, Mario Fuks, Mônica Salmaso, Ná Ozzetti, Nailor (Proveta) Azevedo, Paulo Freire, Ricardo Breim, Roberto Freire e Toninho Ferragutti.
– Voz, violão e composições: David Calderoni
– Bateria e percussão: Adriano Busko
– Piano, teclados e flauta: Fabio Torres
– Saxofone e flauta: Daniel Allain
– Baixo, violões e direção musical: Swami Jr.
– Participações Especiais : Luiz Tatit / Mauro Wrona / Ná Ozzetti / Ricardo Breim
– Produção Fonográfica: David Calderoni
– Apoio: Departamento de Cultura Judaica
– Ano: 1998
Degustação de músicas
Viação
Pelicano
Cabo das Horas
Passarinha
Romance
Crítica
Além do talento para estabelecer relações inesperadas – ao mesmo tempo adequadas – entre melodias e letras, David executa seu violão de maneira a incorporá-lo no âmago da composição, combinando habilidade técnica e originalidade nas soluções harmônicas” e rítmicas.
Luiz Tatit – Compositor e Livre-Docente pela USP na área de Semiótica da Canção
Compor, tocar e cantar. Tudo em David Calderoni se integra harmoniosamente e harmonicamente. Neste seu primeiro CD Viação, David propõe uma canção intensa e inventiva, valorizada pela excelência da musicalização conduzida pela maestria de seu violão.
Celso Favaretto – Autor de Tropicália, Alegoria Alegria e
Doutor em Filosofia pela USP na área de Estética