Trabalho final da disciplina ‘Teoria Política’ Ministrada pelo Prof. Francisco C. Weffort – 1º. semestre/1988

Esta lição de Maquiavel, seu saudável amor pela ‘verità effetuale delle cose’, (….) me fez lembrar que os grandes teóricos, que são marcos da filosofia política clássica, viveram e pensaram em meio às grandes revoluções dos séculos XVII e XVIII, ou às vésperas delas, para dar respostas a questões com que os confrontava a realidade de seu tempo (….) e são nossas ainda hoje, de tal modo que retornar à herança que nos legaram é pensar, na atualidade, os desdobramentos da filosofia política que construíram e avaliar sua atualidade para interpretar nossa própria realidade (…) 1.

Os seguidores do realismo conservador pretendem-se inspirados em Maquiavel e, contudo, deixam de lado um ensinamento essencial do mestre florentino. O verdadeiro realismo político consiste em ver os acontecimentos como ‘cose a fare’. (…) Nenhuma democracia se construiu jamais como simples reflexo de exigências supostamente inelutáveis da história. (…) Por mais que as condições pesem, por mais que o passado se imponha, sempre há escolhas a fazer. (….) a ação política (…) é, por excelência, um ato de liberdade (…) 2.

Os gregos (…) foram os primeiros a pensar sistematicamente sobre política, a observar, descrever e, finalmente, formular teorias políticas. (…) Afinal de contas foram os gregos que descobriram não apenas a democracia, mas também a política – a arte de decidir através da discussão pública – e, então, de obedecer às decisões como condição necessária de existência social civilizada. (……) Protágoras (…) desenvolvia uma teoria política democrática. A essência dessa teoria (…) é que todos os homens possuem ‘politike techne’, a arte do julgamento político, sem a qual não poderia haver uma sociedade civilizada 3.

Dessas citações um tanto extensas é possível tecer alguns comentários, deslindando relações entre o tema deste trabalho e o conteúdo dos excertos destacados, no intuito de ancorar algumas questões pertinentes.

Entre o título e o tema do trabalho, entre o ator e o cidadão, entre o Leviatã e a Atenas, teço então o presente texto.

Leia o trabalho na íntegra.

Referências

1 – Montes, Maria Lúcia – Poder Constituiente e Democracia in “A Constituinte em Debate” – colóquio org. por L. R. Salinas Fortes e Milton M. Nascimento, Sofia Editora, SP, 1986, p. 211

2 – Weffort, Francisco C. – “Por Que Democracia ?”- Brasiliense, SP, 1986, pp. 30 e 31

3 – Finley, M. I. – “Democracia Antiga e Moderna” – Graal, R.J., 1988, pp. 26, 27e 40.

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