Tese apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, como parte dos requisitos para obtenção do título de Doutor em Psicologia.

Dedicatória

Quando meu corpo, transbordado de idéias, as imobilizava, quem seria minhas mãos?

Mas porque estavas aí, estavam lá:
uma mão mantinha o mundo em suspenso
outra mão mantinha o mundo a girar.

E é assim que o trabalho te pertence, Dudu
esta tese é mais um filho em nosso amar.

Trecho da tese

Este texto tem por objetivo apresentar algumas articulações entre o relato clínico do caso de Nair e considerações clínicas, teóricas e metapsicológicas correlatas, com vistas ao exame de minha tese de doutoramento no Instituto de Psicologia da USP.

A forma final do trabalho resultou de duas direções de pesquisa que se revelaram intrinsecamente convergentes: Aquém do Espelho: Estudo Psicanalítico sobre os Fundamentos da Potência Auto-Simbólica do Sujeito, título original do projeto de tese de doutorado (1995) e subseqüentes relatórios anuais (1996 a 1999) desenvolvidos junto ao IPUSP e Psicopatologia da Percepção Clínica na Prática Psicanalítica, projeto de pesquisa desenvolvido a partir de 1996 no Laboratório de Psicopatologia Fundamental do Núcleo de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da PUC-SP.

A questão da gênese da potência auto-simbólica, inicialmente referido ao Caso Hermes (matéria da dissertação de mestrado, conforme detalharei na subseqüente introdução), recebeu em seguida os aportes de novas experiências clínico-institucionais, entre as quais se destaca a freqüência às supervisões junto ao Serviço de Atendimento Individual na Estrutura Familiar do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP, dirigido por Jussara Falek Brauer, idealizadora de um original dispositivo psicanalítico para a investigação e o tratamento de psicoses, cuja proficuidade heurística e terapêutica pude acompanhar (cf. trabalhos e relatório de 98).

O questionamento da teoria psicanalítica da constituição do ego e do objeto conduziu a aprofundar o estudo das teorias sobre os processos de simbolização e percepção, em vertente metapsicológica (Freud, Ferenczi) e ontológica (Espinosa, Merleau-Ponty). Nesse percurso, as contribuições teórico-clínicas de Pierre Fédida foram-se delineando como referência fundamental para pensar a simbolização a partir da problemática do autismo.

Os trabalhos de 99 ampliaram para além da psicanálise o diálogo com autores contemporâneos (Eugène Minkowski, Oliver Sacks), em cujos escritos teórico-clínicos buscamos pontos de apoio e de contraponto ao desenvolvimento da hipótese-diretriz da pesquisa, a qual mantemos e sustentamos: o sujeito constitui o objeto antes de se autoconstituir como ego.

Finalmente, o caso de Nair revelou-se como central tanto para exprimir a convergência dos caminhos de pesquisa, como para embasar a estratégia genética da exposição de seus resultados.

Baixe a tese.

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